
Desenho uma janela transparente
recorto-a com mil cuidados
e emolduro com ela metade do meu corpo
Ando assim pelas ruas
com os braços poisados no parapeito da janela
por isso nada do que acontece é comigo
Eu só estou à janela
e quase sempre
adormeço com a cabeça entre as mãos
Não posso testemunhar coisa nenhum
se houver um punhal na garganta da vitima
é provável que tenha sido o vento que o lançou
Não sei de ódios nem de intrigas
apenas me sacudo quando fico cheia de formigas
Desenho: Lurdes Breda
Poema: Regina